Guia da Participação nos Lucros

Guia da Participação nos Lucros                                                          
Por: Prof. Oceano Zacharias                                                                  

A Participação nos Lucros e Resultados, conhecida simplesmente por P.L.R., nasceu há cerca de dez anos por pressão dos sindicatos trabalhistas junto ao governo federal – que a reeditava anualmente como medida provisória -, dando aos funcionários o direito de receber um adicional que passou a ser conhecido como “produtividade”. E assim, a cada final de ano, os sindicatos dos trabalhadores têm se sentado à mesa das empresas negociando valores em reuniões cansativas do tipo “puxa-puxa”.

A verdade é que a P.L.R. já nasceu com intuito essencialmente trabalhista: aumentar, via sindicato, o ganho do operário, acenando com o argumento de não haver encargos para a empresa. Além do mais, veja o nome que lhe deram: Participação nos Lucros e Resultados! E quando não há lucro? Não há participação? Aí até eu quero!

Mas a realidade é que a P.L.R. agora é Lei, o que favorece a posição dos sindicatos e trabalhadores cabendo, portanto, às empresas encontrar uma saída que reverta em benefícios esta situação.

Implantar um sistema de P.L.R. requer alguns cuidados muito importantes, até com grandes riscos se não for bem elaborado.Uma boa estratégia a ser adotada preconiza alguns princípios, todos plenamente exeqüíveis:

1) Princípio da Identidade
Empresa e trabalhadores devem estar alinhados em busca dos objetivos e metas estabelecidas em patamares que permitam significativas melhorias de resultado e de ganhos, mas passíveis de serem atingidas. Devem também ser conhecidas e aceitas, garantindo consenso e sinergia. De um lado o executivo deve entender que desta forma ele terá um forte apoio na melhoria dos resultados; por outro lado, os funcionários deverão reconhecer que este esforço levará a uma saudável melhoria. Neste momento cabe ao sindicato compreender seu verdadeiro papel, prenúncio de uma mudança de mentalidade mais adequada ao séc. XXI.

2) Princípio da Mensuração
A base para o pagamento deve ser quantitativa e de mensuração adequada aos objetivos da empresa. Estabelece-se primeiramente a amplitude do sistema de medição que pode ser Geral (todos colaboram para um só resultado), Setorial (vale o resultado por departamento), Individual (cada funcionário tem o seu desempenho) ou Misto (certos indicadores são gerais e outros são individuais) – o que é muito sugestivo. Em seguida definem-se os indicadores; este é um importante passo na construção do sistema e constitui a base das decisões, que na prática é a regra do jogo. Indicadores mal escolhidos ou com erros matemáticos ou estatísticos na elaboração das fórmulas de cálculo distorcem o foco da P.L.R. e comprometem totalmente o resultado. Os indicadores devem contemplar medidas de qualidade, satisfação do cliente, desperdícios, custos, produtividade e de dedicação pessoal.

3) Princípio da Reciprocidade
Cabe à empresa dar este primeiro passo em direção à reciprocidade, construindo e propondo um sistema de P.L.R. que evidencie uma relação de ganha-ganha. É muito importante para a organização e para o funcionário que haja equilíbrio no cálculo de resultado versus benefício. Volto aqui à questão da importância de uma nova postura do sindicato trabalhista – que já deu sinais positivos de mudança – em não querer arrancar um valor maior do que os resultados atingidos, o que faria deteriorar totalmente a seriedade e a credibilidade no sistema.

4) Princípio do Bom indicador
Um bom indicador para P.L.R. tem as seguintes características: Atender à razão de ser da empresa; Ser pertinente ao sucesso da empresa; Ser prático; Fácil de ser medido; Fácil de ser entendido; Tem que ser numérico; Ser amplamente divulgado; De coleta simples; Ser bem aceito (consensual); Ser confiável; Indicadores duráveis; Resultados consistentes; e Ser justo.

Na verdade, implantar um sistema de P.L.R. requer, acima de tudo, o mais simples dos princípios: o bom-senso. Afinal, você estará mexendo na parte mais sensível do corpo humano: o bolso!

Gazeta Mercantil – página A-3 de 26/mar 2002
Revista o Vidroplano – Ano 45 – no. 351 – Março 2002-04-23
Informativo Cristal Plano (Sinbevidros) – Ano I – no. 2 – Novembro/Dezembro

 

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